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Você não tem IA. Tem 30 ChatGPTs descoordenados.
ento numa reunião com o CEO. Ele me mostra a tela: ChatGPT aberto. Sorri. “Ricardo, finalmente entramos na era da IA.” Eu respiro fundo. Escolho as palavras com cuidado. Não é a primeira vez que conversamos sobre IA — em diagnósticos anteriores, o tema já tinha aparecido. Mas dizer ali, em reunião formal, com a diretoria presente e o orçamento do próximo ciclo na pauta, tem outro peso. “Talvez ainda não, da forma que você está pensando. Vocês têm 30 ChatGPTs descoordenados — o que o mercado de tecnologia hoje chama de 30 agentes pessoais sem coordenação organizacional. Não é exatamente a mesma coisa que ter IA na empresa.”
Sento na reunião e alguém propõe, com convicção, exatamente a decisão que foi descartada dois anos atrás. Não é má-fé. É a pessoa nova no cargo. Olha para os números, faz a conta que qualquer um faria, chega ao caminho óbvio. O caminho óbvio que já testamos, que custou caro, que registramos em algum lugar — e ninguém na sala lembra onde.